Ao todo, seis jogos da Série A 2022 são investigados pelo órgão

Jogadores receberam ofertas de até R$ 100 mil por manipulações, diz MP

O Ministério Público de Goiás (MPGO) informou, na tarde desta terça-feira (18), que seis jogos da Série A do Campeonato Brasileiro são investigados por suposta manipulação de resultados. Detalhes da Operação Penalidade Máxima II foram anunciados por meio de entrevista coletiva.

De acordo com o órgão, nos jogos da Série A, as ofertas para jogadores participarem do esquema giraram em torno de R$ 50 mil por atleta. Já nos Campeonatos Estaduais, os valores foram cerca de R$ 70 mil a R$ 100 mil por atleta.

Segundo o MPGO, há investigações sobre os crimes de cooptação e aliciamento nos jogos entre Santos x Avaí, RB Bragantino x América, Goiás x Juventude, Cuiabá x Palmeiras, Santos x Botafogo e Juventude x Palmeiras.

Promotor do MP de Goiás, Fernando Cesconetto detalhou o processo dos mandados de busca e apreensão, que foram cumpridos nesta terça-feira (18) em alguns estados do país.

“Foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão cumpridos hoje. Um mandado em Goianira, aqui em Goiás, três mandados no Rio Grande do Sul com relação a dois investigados, dois mandados em Santa Catarina, um mandado no Rio de Janeiro, dois em Pernambucano e 11 mandados em São Paulo, bem como três mandados de prisão preventiva em São Paulo. Dentre os alvos, estão jogadores e outros suspeitos que atuam em apostas, na cooptação e intermediação de atletas”, detalhou.

Confissão de um atleta

Um outro atleta acabou confessando participação no confronto entre Palmeiras e Juventude, pela Série A, em 10 de setembro. O motivo teria sido um cartão amarelo, e a quantia envolvida por jogador girava em torno de R$ 50 mil para cada cartão amarelo recebido.

Veja os jogos da Série A investigados:

  • 05/11/2022 – 36ª rodada – Santos 1 x 1 Avaí: tentativa de cooptação de cartão amarelo por parte de jogador do Santos;
  • 05/11/2022 – 36ª rodada – Red Bull Bragantino 1 x 4 América: aliciamento de jogador para ser punido com cartão amarelo;
  • 05/11/2022 – 36ª rodada – Goiás 1 x 0 Juventude: aliciamento de dois jogadores para punições com cartão amarelo;
  • 06/11/2022 – 36ª rodada – Cuiabá 1 x 1 Palmeiras: aliciamento de jogador do Cuiabá para ser punido com cartão amarelo;
  • 10/11/2022 – 37ª rodada – Botafogo 3 x 0 Santos: atleta cooptado para punição com cartão vermelho;
  • 10/09/2022 – 26ª rodada – Palmeiras 2 x 1 Juventude: aliciamento de jogador para punição com cartão amarelo.

Investigações nos Campeonatos Estaduais

Conforme o MP, a primeira deflagração nos Estaduais aconteceu no dia 14 de fevereiro deste ano. Dois dias antes, Goiás e Goiânia se enfrentaram pelo Campeonato Goiano.

Na ocasião, mais de um jogador do Goiânia teria assegurado a derrota parcial da equipe no primeiro tempo.

Veja outros jogos suspeitos:

  • Caxias x São Luiz de Ijuí – Campeonato Gaúcho: aposta encomendada para atleta do São Luiz cometer pênalti;
  • Esportivo de Bento Gonçalves x Novo Hamburgo – Campeonato Gaúcho: aposta para que jogador do Novo Hamburgo cometesse um pênalti;
  • Mato Grosso Esporte Clube x Operário-MT – Campeonato Mato-grossense: garantir que o número de escanteios no primeiro e no segundo fosse igual para atender o pleito dos apostadores (mais de um jogador envolvido);
  • Guarani x Portuguesa – Campeonato Paulista: assegurar que um atleta fosse punido com cartão amarelo.

CBF se manifesta

Por meio de nota, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) defendeu as investigações do Ministério Público. A entidade máxima do futebol nacional é responsável pela organização da Série A.

“A CBF apoia toda e qualquer ação legal que traga transparência e lisura aos campeonatos que organiza e a todo o esporte brasileiro”, pontuou o órgão nesta terça-feira (18).

Em nota, a entidade ainda citou que investe “no rastreamento e monitoramento de partidas” por meio de uma empresa que atua também para a FIFA e Conmebol.

“Isso não acontece somente nas competições que a CBF realiza. A entidade também custeia o mesmo serviço para todas as federações do Brasil. Interferências externas em resultados ou em situações de jogo são uma epidemia global que, para ser solucionada, precisa punir de forma exemplar e urgente, os responsáveis por essa prática nefasta”, completou.

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